sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Mariinha e "O pardalzinho desconfiado"


O Pardalzinho Desconfiado

1) A AUTORA

Maria de Jesus Fortuna Lima, a quem os amigos chamam carinhosamente, de Mariinha,é uma dessas pessoas-anjo,com olhos no Alto e pés na Terra.Pequena estatura,qual Piaf , com voz imensurável aos ouvidos menos treinados ,ágil,qual Carmen Miranda ,a pequena Notável,capaz de ser a teia entre mundos:nasce em Portugal e se entrega ao Brasil.Vai ser estrela nos Estados Unidos e levar nossa música para o Mundo.Nossa autora nasce no Maranhão, é levada da criança ,à moça que foi , transita , por mudanças paternas, entre o Maranhão , sua Terra Natal e o Rio de Janeiro , onde se estabelece a mesclar os costumes , a cultura , a família tradicional da Ilha do Amor , apelido da capital maranhense , à modernidade do Rio de Janeiro.Tamanho não é documento”, preconiza o velho adágio popular.E a moça Maria,com a fortuna no sobrenome, é tipo mignon.
Para exercer sua liberdade de ser, a pequena de grandes perspectivas ,foge da severidade do pai ,cearense à antiga, vem a Minas Gerais ,onde se forma e trabalha .É assistente social, não se deixa sufocar pela mesmice do Serviço Público Federal , onde ingressa, para trabalhar no ex-INAMPS .Em Belo Horizonte , adultesce,torna-se , uma rara pessoa ,dessas que quando se conhece, sente-se vontade de estreitar os laços.
Eterna apaixonada pela beleza , Mariinha colhe na cornucópia sem fundo da alma ,da personalidade , os muitos don s: desenha, pinta, dança, faz poesia escreve contos e crônicas .Chargista, prima do cartunista Fortuna , ilustra seus próprios livro s, o que fez ninguém menos que Pierre Weil, expoente máximo da Psicologia Transpessoal, de quem foi vizinha e com quem conviveu afirmar , na contracapa de seu lindo livro “A Incrível Estória de amor de Mimo e Dedé” (*) , quando a apresenta ao leitor:

“(...)Além de escrever com um estilo que toca as raízes de nossa alma , ela faz questão de ilustrar seus contos tal como Saint Exupéry , e com a mesma leveza e singeleza”(...)
Há pouco Maria de Jesus ilustrou um curso que realizou com uma ginecologista da capital mineira, a teoria e as dinâmicas de grupo, com suas charges, cuja protagonista , Lena Luci é o protótipo de qualquer mulher no climatério.
Quase impossível acreditar que tenha ultrapassado a barreira dos sessentas anos de idade . O riso é fáci l, a ironia é fina , característica das pessoas muito inteligentes, a disposição, grande . E escreve para crianças, tarefa a que poucos ousam aventurar-se. Suas histórias revelam rasgos de sua alma esotérica .Weil afirma , sobre seus contos:

“(...)têm um cunho transpessoal.Sua simbologia arquetípica mexe com as profundezas do autor(...)”
A par da feição poética e do estilo sutil/denso, no aflorar da desenhista e da poeta que espiam sua prosa , as histórias por ela escritas têm sempre um cunho educativo, sem cansar o leitor provável, seja ele de que idade for, mas sobretudo, os jovens leitores.
Psicóloga e mãe, recomendo-a . Mulher, poeta e desenhista , sou sua leitora e admiradora .E tenho a alegria de tê-la tornado amiga.



Clevane Pessoa de Araújo Lopes/Belo Horizonte, Minas Gerais, 24/07/2006


2)À Guisa de Posfácio

O Pardalzinho Desconfiado

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

As noções de família,infância e adolescência,se apresentam com perfeição nesse livro de Maria de Jesus Fortuna, escrito em...,com prefácio de Geraldo Eustáquio de Souza,conhecido autor sensível que a percebe qual uma fotógrafa.E ela o é.Tudo que enxerga, registra com as objetivas de seu interno e com os olhos de olhar/ver. E o mais interessante é que à realidade,adiciona seu rico imaginário e pitadas da poesia marcante que a faz uma das poetas mais interessantes que já li.
Sendo chargista, Mariinha deixa escapar seu impagável humor, tornando sempre leve a necessidade de filosofar.
Ela própria uma leitora contumaz, desde criança, escreve para a gente miúda com tanto savoir –faire, que os adultos se deleitam com seus contos.
A natural curiosidade e a desconfiança, a ilusão e as dúvidas , a coragem e a humildade, são fatores que a autora empresta a esse pardalzinho,ao qual chama Plínio, numa clara demonstração de que todos fomos criança e adolescentes um dia, o que muitos adultos nem sempre lembram . Somente para fazer a analogia, o prenome “Plínio” , nomeado na lista de desambigüação na História , como” Plínio o Velho “, que foi um romano ,estadista, da nobreza ,historiador(morreu na drástica erupção do Vulcão Vesúvio, em 79 DC) , e também “Plínio, o Novo”, não por acaso , sobrinho-neto do primeiro personagem, que foi escritor e orador (62 a 113 DC) .Esses grandes homens , lembrados através dos tempos, tiveram , na infância e na puberdade , por certo, as mesmas dúvidas do pardalzinho protagonista desse livro lindo.
As ilusões do existir, são simbolizadas pelo pássaro enganador, aquele de voz atraente, que é um semeador de vacilações, suspeitas, indecisões, cepticismo. O aparentemente belo pássaro, é o protótipo dos aliciadores, que oferecem aos inexperientes promessas falsas e vãs, muitas vezes, afastando os imaturos das verdades aprendidas e apreendidas no lar.
A coruja, o urubu, têm um fantástico papel no enredo e fico a imaginar esse livro tornado peça, esquete teatral para en/cantar e alertar, com poesia e graça, com a trama tão bem urdiada no tear da autora.
Uma das lições mais consistentes, é que as crianças precisam ser ouvidas e entendidas.E que a paciência para com elas é a chave imprescindível para livrá-las do mal.O que Zé, o Urubu, demonstra de sobra, além da ousadia de seguir o passarinho e descobrir o que havia de verdade em toda a tristeza por ele demonstrada. Também é um livro que fala de esperança : é possível que a alegria volte à floresta, ao pardalzinho,à alma de quem encontra um amigo para a relação de ajuda.
Um livro que recomendo.A autora está de parabéns.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes,24/07/2006,BH,MG

Um comentário:

martha barbosa disse...

Adorei teu blog, ostextos são perfeitos, volto mais vezes .meu blog é marthacorreaonline.blogspot.com